Como sua marca reage em tempos de crise?

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Nesse último final de semana um texto do empresário Carlos Andre Montenegrocirculou pela internet e grupos de whatsapp e nos chamou a atenção. Um tanto pelo relato feito sobre seu passado empreendendo no Brasil, mas principalmente pela visão ampla das marcas que estão prontamente ajudando seus clientes em suas reais necessidades com a chegada do furacão Irma na região da Florida.

Carlos traz em seu texto:

"...as companhias aéreas americanas, das quais todos sempre reclamam, colocaram vôos extras, durante toda a madrugada, com preço fixo de $98 dólares, para ajudar a escoar o pessoal pelos céus. A Expedia, site de reservas de hotéis, ofereceu tarifas com descontos especiais em lugares seguros. O mesmo fez o Airbnb, site de reservas de casas e apartamentos.

Os hotéis, por sua vez, passaram a aceitar mais hóspedes por quarto e também animais de estimação. As operadoras de telefonia, que normalmente restringem suas redes de wi-fi aos seus clientes, liberaram internet grátis para todos. Onde existir cobertura, existirá wi-fi grátis. Comunicação, ou a falta de, pode salvar uma vida ou causar uma morte nesse tipo de situação. Até o hotel em que estou, acaba de informar que todo o conteúdo de filmes e desenhos, que normalmente é cobrado, será grátis nas próximas 72 horas.

O Google se uniu ao governo, em um esforço sem precedentes, para conseguir localizar e colocar em tempo real nos seus mapas (Google Maps e Waze) as ruas fechadas, bloqueadas e danificadas, após a passagem do Irma. São muitos os exemplos, que realmente emocionam.

Na maioria das vezes coisas simples, mas que trazem o mínimo de conforto nesse momento e esperança de um futuro melhor. Como diz o famoso ditado: depois da tempestade, sempre vem a calmaria."

A partir desse relato ficaram duas perguntas para nossa reflexão:

1 - Como os consumidores reagem aos percalços da economia brasileira?

Retração no consumo é um sintoma clássico dos tempos de crise, mas marcas conectadas ao que os consumidores vivem não perdem espaço na memória e preferência dos clientes, principalmente por se adaptarem a suas novas realidades. As pessoas passaram a ter um poder de compra menor, uma necessidade de precaver-se para o futuro, um ponto de equilíbrio financeiro mais curto e racional. Ao mesmo tempo, não querem deixar de viver, querem aproveitar de formas mais criativas seus finais de semana. O entretenimento, o almoço de domingo e até a forme de se vestir estão abertas para marcas que os ajudem a fazer isso sem prejudicar demais seu orçamento.

Como as marcas tem vivido os percalços da economia brasileira?

A crise é considerada um ponto de virada por diversas culturas. Elas tornam as famílias, mas também os empreendedores mais criativos e adaptáveis. Isso porque somos convidados a sair de nossa zona de conforto e olhar mais amplamente para o que podemos fazer para reduzir custos de operação, criar produtos mais acessíveis e até reutilizáveis para os clientes. Quando essa visão internamente é positiva a empresa se abre e se conecta aos pontos de dor do cliente, ela não foca na retração da economia, mas em como usar seus dons para atender o cliente. 

Abundância no lugar da escassez

As marcas que estão atuantes na região do furacão Irma estão oferecendo suas habilidades para ajudar a trazer algum conforto para as pessoas, uma atitude de abundância, de visão de quem aceita o desafio. Oferecer o seu melhor, permite que a região se restabeleça e volte a se organizar e equilibrar social e economicamente. Essa é uma visão mais ampla, um cuidado que tem olhar de longo prazo e de ajustes ao ponto de equilíbrio da empresa e dos clientes.

Se sua empresa escolhe olhar para os desafios com confiança que o mercado e clientes apontam, tudo à sua volta passa a ser desenhado para encontrar as soluções. Mas se foca na retração da economia e no resultado negativo, possivelmente encontrará os dois.

Lidianne Hupfer