Quando o rebranding vale a pena?
Somos seres em movimento. O pensamento inicial pra esse texto me fez lembrar da música do Jorge Drexler - Movimiento.
Apenas nos pusimos en dos pies - Apenas ficamos em dois pés
Y nos vimos en la sombra de la hoguera - E nos vimos na sombra da fogueira
Escuchamos la voz del desafío - Nós ouvimos a voz do desafio
Siempre miramos al río, pensando en la otra rivera - Sempre olhamos para o rio, pensando na outra margem
É muito natural para nós humanos nos colocarmos em movimento quando sentimos que a vida pede um novo rumo. Essas transformações têm uma força que nos move. Nosso querer se ativa e essa vivacidade aparece no corpo, no recalcular de uma rota, nos novos cabelos, na mudança de um móvel de lugar na casa.
No ecossistema das organizações, esses movimentos aparecem da mesma maneira. Mudar a identidade visual de uma marca é uma expressão externa que muitas vezes vem de uma transformação ou de algo que a precede.
O Rebranding como conceito é visto como essa repaginada estética, mas a verdade é que todo movimento fica melhor e mais redondo quando é feito a partir de uma tomada de consciência do seu porquê.
Para entender se a sua empresa está no ponto de realizar essa mudança, podemos tentar enxergar a organização a partir de uma perspectiva mais ampla.
Avaliando os movimentos de dentro para fora
A estrutura - como estão os aspectos visíveis e tangíveis do negócio? Um sobrevoo analítico sobre os alicerces: seus recursos financeiros, equipamentos, a casa, fachadas, logotipo, cores.
Os fluxos - como estão os ritmos da empresa? Qualificamos os indicadores, a gestão, os métodos de venda, de compra e de relacionamento.
A qualidade dos encontros - qual a qualidade das relações? Analisamos a cultura organizacional, o diálogo entre os sócios, o clima da equipe e a forma como o cliente é acolhido.
A Identidade - como estão a essência e os inegociáveis do negócio? A visão estratégica de futuro que aponta para onde a marca está caminhando.
Decidir dar essa repaginada externa com uma visão mais ampla do que está acontecendo internamente é maravilhoso. Cada um destes aspectos ainda poderia ter a pergunta final: e o que mais sonhamos para a estrutura, para os fluxos, para o clima organizacional e para a identidade?
Falando de futuro, ainda teriam mais dois campos de movimento vivo interessantes para compor essa imagem:
Mercado - como estão os players que essa marca encontra na mesma categoria? O que eles têm comunicado? Como está o portfólio? E as inovações onde elas têm acontecido?
Pessoas - como estão as pessoas com as quais sua marca se relaciona? O que estão buscando de valor? Que transformações estão acontecendo? O que elas trazem para a relação com a marca?
E como avançar no rebranding?
Se o portfólio, o endereço, as pessoas ou até a própria essência mudou com o tempo, talvez seja a hora de olhar para a identidade visual. Mas gostamos de lembrar que o branding de dentro para fora tende a gerar valor de longo prazo.
A nosso ver, mais importante do que trocar a logomarca é ampliar a caixa de ferramentas de quem está construindo uma marca de futuro que permeia todo o negócio.
Sabemos que, nas dinâmicas de hoje, abrir espaço para estratégia é raro. Além do tempo é preciso abertura, acalmar a ansiedade das metas e convidar os gestores a sonhar com o “avião em pleno voo”, como se diz.
Um detalhe importante: nós já vivemos esse mesmo movimento na pele por quatro vezes. Cada nova roupagem nossa teve um movimento interno ou externo que nos ensinou mais e permitiu o amadurecimento de nosso propósito.

