O valor estratégico do que escolhemos não oferecer

O que a trajetória da Valente nos ensinou sobre foco e gestão de portfólio

Existe essa crença no mundo dos negócios sobre crescimento: mais pessoas, mais serviços, mais projetos, mais ofertas. Durante muito tempo não olhamos isso de perto e acho que não questionamos até pelo fato de na época sermos uma agência de propaganda que ajudava a incrementar resultados.

Perto de 2010, tínhamos uma equipe de 12 pessoas entre sócios e colaboradores e projetos criativos para vários segmentos. Seguíamos a fórmula de crescer em estrutura, tecnologia, multiplicar frentes de atuação e atender diferentes demandas para alcançar uma receita favorável.

Com o tempo, porém, percebemos que uma parte considerável de tempo estava consumida para essa lógica e o espaço para a escuta, o pensamento estratégico e para as relações verdadeiras ficava cada vez menor.

Importante dizer: gostávamos bastante da empresa e dos valores que estávamos cultivando como negócio, mas a pergunta ainda assim surgiu:

Será que empresa que construímos ainda representa quem somos e o que queremos construir daqui para a frente?

A maturidade de escolher

Entre 2009 e 2014, nosso encontro com o branding e com filosofias de vida que valorizam a presença e a pausa abriu um espaço novo em nossa perspectiva de mundo e de negócio. Para ajudar outras marcas a reconhecerem sua essência, precisávamos fazer o mesmo dentro da nossa própria casa.

A metodologia da Valente de hoje teria seus primeiros rascunhos ali e o resultado foi uma decisão que poderia parecer um retrocesso: simplificar.

Deixamos de ser uma agência de propaganda para nos tornarmos uma consultoria estratégica de branding conduzida por nós duas. Abrimos de muitas entregas interessantes e relevantes financeiramente da agência e concentramos nossa atuação com essa visão estratégica de marca.

O resultado? Equilibramos as receitas e os custos, o tempo valioso em cada projeto e vimos resultados que até hoje são pauta nos encontros com cada cliente que passou pela Valente.

O que isso nos ensinou sobre gestão de portfólio

Viver essa transformação nos ensinou também a orientar nossos clientes. Aprendemos que gerir um portfólio é compreender o papel de cada entrega e cada benefício na estratégia do negócio.

Crescer não significa aumentar serviços e produtos

Às vezes o negócio não precisa criar um novo produto, mas reconhecer o potencial daquilo que a empresa já está fazendo e talvez até reduzir a importância de produtos no portfólio. Ao concentrar os esforços comerciais em uma direção é possível reduzir a complexidade da escolha, da entrega e ampliar os benefícios.

O que fez sentido ontem talvez peça revisão

Mercados, organizações e lideranças amadurecem, transformam suas necessidades e descobrem novas demandas. Encerrar uma oferta que já cumpriu seu papel pode ser uma decisão inteligente e até necessária para abrir espaço para o novo.

Reconhecer o papel de cada oferta, muda a intenção e a linguagem

Um portfólio coerente começa no reconhecimento do que cada produto faz pelo negócio. Alinhar estratégia, competências, estrutura e a experiência do cliente vai ajudar a encontrar o que gera caixa, lucro e posicionamento.

O que a sua empresa precisa deixar para trás?

Olhamos para a fase em que éramos uma equipe de 12 pessoas com alegria. Aquela experiência foi fundamental para chegarmos à consultoria que somos hoje.

Se o seu negócio tem pouca visão sobre produtos, serviços ou frentes de atuação, talvez seja hora de rever o conjunto de forma estratégica.

Cada oferta do seu portfólio pode fortalecer a estratégia da empresa.

Essa é uma pergunta que vai além da organização comercial. Ela exige clareza sobre o negócio que vocês querem construir, o valor que desejam gerar e as competências que podem ser fortalecidas.

Às vezes, a decisão mais estratégica não é abrir uma nova frente, mas ter discernimento para concentrar esforços naquilo que realmente diferencia a sua marca.

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Quatro arquétipos ou um?